domingo, 5 de fevereiro de 2017

O Chamado 3 - Chamados - crítica


Sinopse: Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) fica preocupada quando seu namorado, Holt (Alex Roe), começa a explorar a lenda urbana sobre um vídeo misterioso. Lenda esta que diz que quem assiste morre depois de sete dias. Ela se sacrifica para salvar seu namorado e acaba fazendo uma descoberta terrível: há um "filme dentro do filme" que ninguém nunca viu antes.

Elenco:

Matilda Lutz
Personagem : Julia
Alex Roe
Personagem : Holt

Vincent D'Onofrio

Personagem : Burke

Johnny Galecki

Personagem : Gabriel

Aimee Teegarden

Personagem : Sky


Laura Wiggins
Personagem : Faith

Bonnie Morgan

Personagem : Samara









Existem certos projetos no cinema, certas franquias, que, apenas ao ser anunciado, já nos faz pensar imediatamente na pergunta: Para que?

O Chamado (2002) é uma refilmagem de um sucesso japonês chamado Ring (リング Ringu) de 1998, que trouxe um modelo de terror diferenciado, trazendo sustos em momentos programados e em música baixa. Convenhamos, o original japonês já era suficientemente um ótimo filme em todos os quesitos, mas claro que os americanos não perdem tempo e fazem sempre refilmagem de grandes filmes "estrangeiros" para faturar seus dólares. Mesmo assim, o primeiro O Chamado, foi um grande filme, com elenco excelente, encabeçado pela indicada duas vezes ao oscar Naomi Watts e Brian Cox, dois grandes nomes do cinema. Acima de tudo, o filme foi dirigido por Gore Verbinski e a trilha sonora era de Hans Zimmer, eliminando assim todas as dúvidas e resultando em um trabalho invejável.

O segundo O Chamado (2005), já nos trouxe a tal pergunta sobre a necessidade do filme no contexto de uma franquia. A direção mudou, estando no comando Hideo Nakata e a trilha sonora também muda de condutor. Assim, mesmo ainda com Naomi Watts, o filme perdeu feio para o primeiro, trazendo sim, algumas sequencias boas e tensas como a do cavalo na balsa, mas mesmo assim, o primeiro filme supera em tudo.

Chegou aos cinemas O Chamado 3, ou Chamados, como preferir. Dirigido pelo estrante em Hollywood, o espanhol F. Javier Gutiérrez, e um novo elenco com direito a presença de Vincent D'Onofrio (aquele que em Homens de Preto o inseto vestiu sua pele, fazendo ele ter uma atuação digna de Oscar) e também Johnny Galecki (o Leonard de The Big Bang Theory).

O filme parte de uma ideia até interessante, onde tentam transformar a lenda da tal vídeo da Samara em um tipo de experimento coletivo, isto traria até mesmo uma certa arejada na franquia. Mas infelizmente de forma quase instantânea, o filme já é mergulhado na transformação de contexto em lenda urbana e rapidamente os clichês dominam. O casal protagonista é totalmente desinteressante, o filme não se deu sequer o trabalho de aprofundar suas personalidades, sendo assim quem assiste não se identifica e não torce por eles. O filme faz questão de dar voltas desnecessárias para chegar no ponto que interessa: Julia (Matilda Lutz) acaba assistindo um vídeo macabro e logo após recebe uma ligação misteriosa de alguém que apenas diz “sete dias”. O que mais nos incomoda, contudo, é a digitalização das imagens do VHS. Primeiro, nos faz perguntar quem seria idiota o suficiente de fazer este trabalho de passar VHS para um arquivo e em segundo, o VHS assusta muito mais em minha opinião. "Passar a Samara para frente", ficou muito mais fácil, agora damos apenas um Ctrl+C e Ctrl+V para alguém e assim aguardar apenas alguns segundos até o curioso assistir. Estragaram a ideia da dificuldade nos dias de hoje de alguém precisar usar um videocassete para ficar livre.

O filme não se identifica esteticamente, não define uma linguagem na composição de cores e luzes, simplesmente seguiu um protocolo de clichês estabelecidos para dar susto na platéia. Mesmo que o início soe até interessante e o final é mais um gancho para continuidade. O que interessaria no filme de fato não está presente, transformando o projeto em mais um naquele arquivo dos nossos cérebros com aviso "deletar informações após 15 minutos do término do filme".

Para alguém que nunca tenha visto os filmes, o original japonês e o filme americano de 2002 são os que valem a pena. O Chamado 3 é um filme dispensável, prescindível, supérfluo, inútil, escusado, escusável, vão, irrelevante e insignificante.

Trailer do site:
Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

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