segunda-feira, 20 de março de 2017

A Bela e a Fera


Sinopse: Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.



"Sentimentos são, como uma canção...", quem diria que iriamos conferir no cinema novamente a trama e as músicas que fizeram tanto sucesso em tempos que a Disney precisava de uma manobra arriscada para voltar ao topo?

Hoje os estúdios encontraram uma nova mina de ouro, refilmar grandes clássicos em live-action e levar fãs das antigas animações e novas gerações para os cinemas, arrecadando quantias monstruosas. Veja bem que isso já foi muito bem aproveitado pela Disney com Alice no País das Maravilhas (2010), 101 Dálmatas (1996), Peter Pan, que teve várias adaptações e continuações, e vários outros filmes. Aliás, está na mira dos estúdios Disney, fazer o mesmo esquema de adaptação com o Rei Leão, sim, o grande clássico de 1994.

Ouvi também algumas pessoas dizendo que não justifica "refilmar" A Bela e a Fera, porque não é tão antigo assim. Ora, são 26 anos que fizeram a animação de imenso sucesso e que revolucionou técnicas que impressionou demais o público. Vamos nos lembrar que refilmaram O Homem-Aranha foi recomeçado com bem menos anos de diferença e tem quem diga que virá o reboot de Matrix (algo que para mim é mais do que desnecessário, em clássico não se mexe).

Mas como impressionar o público com algo que já foi tão impressionante na época? Aliás, a primeira animação na história a ser indicada para o Oscar de melhor filme, não melhor animação, mas sim melhor filme. Seria o mais do mesmo?

A Bela e a Fera chega aos cinemas mais apegada às origens, ao contrário de outras adaptações, pensando na expectativa de uma geração que cresceu vendo e revendo a mesma história. A qualidade do elenco que conta demais, sendo todos com um imenso talento que fica difícil citar apenas um ou outro. A força gigante do elenco feminino é realmente encantador.

Apesar do filme ser visualmente agradável, o trabalho do diretor Bill Condon não deixa de ser uma tentativa descarada de colocar na tela com atores, o mesmo trabalho da animação de 1991. Está certo que o filme tem 45 minutos a mais, o que ao menos traz algo novo. Talvez a personalidade de Bela é um pouco mais aprofundada, mostrando ser uma personagem mais forte e ainda mais inteligente do que na animação, o que nos faz ainda mais acreditar que os outros habitantes do vilarejo a consideram estranha, já que são apenas camponeses sem muita diversidade cultural.

O medo dos efeitos especiais vieram quando foi revelado que o responsável seria o mesmo de  A Saga Crepúsculo: Amanhecer, o mesmo Bill Condon, com seu trabalho horrendo na personagem Renesmee (a menina com cara de borracha). O medo se justifica, infelizmente os personagens que são objetos, no filme ficaram, vamos dizer, não muito bons e o trabalho de computação gráfica na Fera, não passou a emoção necessária para justificar a adaptação.

Talvez o bom trabalho do diretor fica nas coreografia das danças e músicas, e vemos ali que foi essa a desculpa máxima do estúdio para fazer a adaptação. Apesar que tamanha artificialidade prejudica os maiores musicais do longa, algo que na animação enchia nossos olhos, hoje, com o filme, se tornou cansativo por tantas inserções de computação gráfica pesada e muito artificial.

Como citei acima, em clássico não se mexe. Muitos filmes ganham suas novas versões e decepcionam em muitas questões, meu maior exemplo sempre vai ser O Vingador do Futuro, onde a violência e ação eram fundamentais para a história no trabalho genial de Paul Verhoeven no filme de 1990 e em 2012 ganhou uma refilmagem sem graça.

A Bela e a Fera, dentro do clássico da Disney de 1991, é sensacional, uma animação inesquecível que encanta até hoje, sua adaptação em live-action nada mais é do que uma fonte financeira que vem dando certo para o estúdio, fica a nota máxima no trabalho pela escolha do elenco e uma nota não tão boa pela falta de inovação.

TRAILER DO SITE:
Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

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